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07/03/2022

Jornal Torrejano - Nº 1106 - Negócio fechado.

Jornal Torrejano – Nº 1106 - 05/03/2021

Negócio fechado.

Fomos bafejados pela sorte. Bruxelas tinha no cardápio dos financiamentos a construção de ciclovias. E pronto, cá vamos nós pedalar. Sugiro que batizem a ciclovia de “Pedal Frenético”, (P.F.). Não sei bem que solução vão engendrar para a colocação da plaquinha com o nome. Alguma coisa se há-de arranjar, filha de pai incógnito não vai ficar. Para gerar negócio local e aparentar planeamento consolidado, fica a faltar uma daquelas lojas de artigos desportivos que vende bicicletas e todos os acessórios. Ah… espera…

Se em vez de ciclovias o financiamento disponível fosse para transportes marítimos, estávamos tramados. Ia custar uma pipa de massa trazer o mar até aqui. Não deixava de ter uma pinta do caraças ir das Tufeiras ao Titó de ferry ou hovercraft. Mas que ia dar uma trabalheira monumental, ia. E caro, muito caro. Embora a componente financeira não aparente ser problema para a Câmara. Bom, talvez eu esteja a fazer uma leitura errada e, na realidade, o problema resida na incompreensão da mecânica do processo negocial e não no à vontade financeiro. Estão tão habituados a negociar com o dinheiro dos outros que, quando o vendedor pede 38 mil pelo bem, a Câmara propõe 40. O vendedor esclarece que são 38 e não 40. Perante o esclarecimento a Câmara contrapropõe 50. O vendedor perplexo diz: “Acho que não estão a perceber. O preço é de 38 mil euros”. Ao qual a Câmara responde: “Então, está bem, 60 mil. Mas olhe que já não dá para subir muito mais…” O vendedor já exasperado, com o polegar e o indicador da mão direita na cana do nariz, replica: “Há alguma falha na comunicação. Agora devagarinho, como se os senhores fossem muito estúpidos: O preço que estou a pedir são t-r-i-n-t-a e o-i-t-o mil euros. Três oito.” Ao que a Câmara, sorridente, responde: “Ok. 61 mil e não se fala mais nisso.” Negócio fechado. Se a avaliação do bem em 38 mil euros não partisse do próprio município, não sei muito bem onde iria parar o valor. Assim, salvaguardando a coerência e a óbvia vantagem financeira, ficou por ali. Vá lá. Talvez por terem esgotado a capacidade de argumentação com esta negociação e sem fôlego pelo esforço despendido, a maioria governante decidiu abster-se na votação de uma obra, necessária, proposta por um partido da oposição. Graças a isso, a obra foi aprovada. É curioso que, quando o chefe se cala e fica quietinho, se façam coisas e se avance. Noutra obra, também ela necessária, a competência exibida obrigou a intervenção logo a seguir à inauguração. Intervenção de manutenção e não corretiva. Talvez este facto se deva a não existir consenso acerca do local. Uns dizem que é na Beselga, outros na Bezelga. E depois a malta queixa-se que os CTT funcionam mal. Pudera. Mas mais dilemas se perfilam no horizonte. Lá para os confins do império, na fronteira com Tomar, um individuo resolveu vedar a sua propriedade e, como consequência lateral, impediu o acesso a uma linha de água que, em tempo de chuva, forma uma pequena cascata bonita de se ver. A malta não gostou. Calculo que entre auditoria, avaliação e decisão, passe tempo suficiente para construir ali uma fábrica de papel. Então será tarde, pois colocaria em causa uma série de postos de trabalho, de salário mínimo, vitais para o desenvolvimento da região. Não é tão rebuscado quanto isso, há precedente.

Entretanto, o Ministério Público decidiu investigar os casos das inoculações com as sobras das vacinas contra a Covid 19. Independentemente das conclusões que possam resultar dessa investigação, acho estranho o MP consumir tempo e recursos a investigar casos de altruísmo e ingénua boa vontade. Uma dica para o MP: Não investiguem. Negoceiem. Vão ficar surpreendidos com os resultados.




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