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22/09/2024

Jornal Torrejano - Nº 1191 – Trente Glorieuses

Jornal Torrejano – Nº 1191 – 20/09/2024

Trente Glorieuses


Os gloriosos trinta, a expressão original onde me fui inspirar, tem pouco a ver com longevidade e muito com mudança, desenvolvimento, crescimento, progresso. Refere-se às três décadas pós segunda guerra mundial, em que a Europa galopou para se reconstruir, em mais dimensões que meramente a literal. Comemorar passagem de tempo, só por si, é magro. Comemorar resiliência, é outra coisa totalmente diferente, significativa. Trinta anos de resiliência, é obra. Parabéns Jornal Torrejano.

Os quase dois mil e cem anos que separam a Acta Diurna de Júlio César do jornalismo atual, confirmam a vitalidade da ação informativa. Comunicar publicamente através de registo referenciável, é preciso. Fazê-lo em condições adversas, por vezes hostis, é acto de obstinação que, não se cinge à codificação de eventos mundanos em texto. Deixar registo de factos, despidos das influências propagandistas instituídas, é desafiar e expor as decisões do poder. É preciso. Defender a pluralidade de pensamento, a transparência, exigir que direitos sejam respeitados e, seguir em frente na cronologia. É preciso. Venham mais trinta de uma assentada que eu pago já.




10/09/2024

Jornal Torrejano - N° 1190 - É meu!

Jornal Torrejano - N° 1190 - 06/09/2024

É meu!

Sempre que a autarquia afirma "apurar responsabilidades até às últimas consequências", só obtemos uma garantia: Não se vai saber rigorosamente nada acerca do tema. Muito menos a verdade. Nunca. Quem, como, porquê, ficarão atrás de uma cortina de névoa para todo o sempre. É garantido.

O tema da vedação na nascente do Almonda, foi até às últimas consequências e, nada aconteceu.

O tema das chaminés que vieram abaixo, foi até às últimas consequências e, nada aconteceu.

O tema das cabras que morreram, foi até às últimas consequências e, nada aconteceu.

Ao longo de cerca de dois anos escrevi sessenta e quatro crónicas para este jornal. Cada uma dessas crónicas girava à volta de um, dois, ou mais, episódios deste género. Não vou repetir-me, nem fazer uma lista dos eventos ora questionáveis ora vergonhosos, protagonizados pela autarquia durante esse tempo, bastam os três acima para recordar que, tema para as crónicas abundava abunda abundará e, uma vez é casuística, duas vezes é padrão.

Não se vai longe quando o vereador com o pelouro do ambiente é de opinião que os peixes vivem bem sem água. Depois da asneira cometida, a rapidez estonteante com que se conclui tratar de um crime ambiental derivado a descarga poluidora ilegal, apontando o dedo, vagamente, a um universo muito restrito de entidades particulares ou coletivas que residem ou operam nas margens daquele troço do rio, mete dó. Apurando até às últimas consequências, a culpa foi da Dona Francisca que lavou o quintal com cianeto, por causa das melgas, com medo da febre-não-sei-de-quê que elas transmitem aos velhinhos indefesos e, a seguir, despejou o balde para o rio. A Dona Francisca, respetivos familiares, animais de estimação e as melgas, estão ótimos de saúde. O cianeto só é mortal para os peixes. Exclusivamente para os que habitavam, ou passavam férias, entre a ponte do raro e o açude. Não haver água no rio, é só um detalhe menor, irrelevante.

Também se tornou padrão o presidente da Câmara sair de reuniões sem saber com quem reuniu, qual a ordem de trabalhos, com que objetivo, que documentos (devidamente validados) foram apresentados, que conclusões ou linhas de ação subsequentes resultaram da mesma. Mas, inequivocamente, alguém disse que haveriam cem novos postos de trabalho. Isso, é certo. Nota-se perfeitamente que o Sr. presidente nunca trabalhou por conta de outrem. Se eu escrevesse num relatório uma barbaridade destas, mais valia nem regressar ao escritório, por uma questão de sobrevivência. No entanto, o Sr. presidente, pode. Sem consequências. A noção de democracia de alguns, não pára de me surpreender.

Aparentemente, criando um personagem com postura de pedigree, guarda-roupa, acessórios de moda e viatura, fora do alcance salarial de um presidente de câmara, basta afirmar de forma veemente a propriedade de determinado bem que, a Câmara ajoelha-se. Assim se foi a nascente do Almonda, assim se foram as chaminés, assim se vai uma via romana secular.

Aproveito para afirmar de forma veemente que o castelo de Torres Novas é meu. Tentei isto lá para cima, ao pé de Gaia, mas não colou. Fui armado com documentos oficiais: mapas, listas telefónicas e fotografias de placas de trânsito, mostrei o cartão de cidadão e tudo. Mas não colou. A Câmara Municipal de Castelo de Paiva, adotou como requisito obrigatório para a contratação de recursos humanos, não ser imbecil. Pode ser que em Torres Novas resulte. O castelo é meu. Qualquer mapa decente serve como escritura. Ser ao pé de Gaia, é detalhe menor, irrelevante.