Jornal Torrejano - N° 1190 - 06/09/2024
É meu!
Sempre que a autarquia afirma "apurar responsabilidades até
às últimas consequências", só obtemos uma garantia: Não se vai saber
rigorosamente nada acerca do tema. Muito menos a verdade. Nunca. Quem, como,
porquê, ficarão atrás de uma cortina de névoa para todo o sempre. É garantido.
O tema da vedação na nascente do Almonda, foi até às últimas
consequências e, nada aconteceu.
O tema das chaminés que vieram abaixo, foi até às últimas
consequências e, nada aconteceu.
O tema das cabras que morreram, foi até às últimas consequências
e, nada aconteceu.
Ao longo de cerca de dois anos escrevi sessenta e quatro crónicas
para este jornal. Cada uma dessas crónicas girava à volta de um, dois, ou mais,
episódios deste género. Não vou repetir-me, nem fazer uma lista dos eventos ora
questionáveis ora vergonhosos, protagonizados pela autarquia durante esse
tempo, bastam os três acima para recordar que, tema para as crónicas abundava
abunda abundará e, uma vez é casuística, duas vezes é padrão.
Não se vai longe quando o vereador com o pelouro do ambiente é de
opinião que os peixes vivem bem sem água. Depois da asneira cometida, a rapidez
estonteante com que se conclui tratar de um crime ambiental derivado a descarga
poluidora ilegal, apontando o dedo, vagamente, a um universo muito restrito de
entidades particulares ou coletivas que residem ou operam nas margens daquele
troço do rio, mete dó. Apurando até às últimas consequências, a culpa foi da
Dona Francisca que lavou o quintal com cianeto, por causa das melgas, com medo
da febre-não-sei-de-quê que elas transmitem aos velhinhos indefesos e, a
seguir, despejou o balde para o rio. A Dona Francisca, respetivos familiares,
animais de estimação e as melgas, estão ótimos de saúde. O cianeto só é mortal
para os peixes. Exclusivamente para os que habitavam, ou passavam férias, entre
a ponte do raro e o açude. Não haver água no rio, é só um detalhe menor, irrelevante.
Também se tornou padrão o presidente da Câmara sair de reuniões
sem saber com quem reuniu, qual a ordem de trabalhos, com que objetivo, que
documentos (devidamente validados) foram apresentados, que conclusões ou linhas
de ação subsequentes resultaram da mesma. Mas, inequivocamente, alguém disse
que haveriam cem novos postos de trabalho. Isso, é certo. Nota-se perfeitamente
que o Sr. presidente nunca trabalhou por conta de outrem. Se eu escrevesse num
relatório uma barbaridade destas, mais valia nem regressar ao escritório, por
uma questão de sobrevivência. No entanto, o Sr. presidente, pode. Sem
consequências. A noção de democracia de alguns, não pára de me surpreender.
Aparentemente, criando um personagem com postura de pedigree, guarda-roupa, acessórios de
moda e viatura, fora do alcance salarial de um presidente de câmara, basta
afirmar de forma veemente a propriedade de determinado bem que, a Câmara
ajoelha-se. Assim se foi a nascente do Almonda, assim se foram as chaminés,
assim se vai uma via romana secular.
Aproveito para afirmar de forma veemente que o castelo de Torres
Novas é meu. Tentei isto lá para cima, ao pé de Gaia, mas não colou. Fui armado
com documentos oficiais: mapas, listas telefónicas e fotografias de placas de
trânsito, mostrei o cartão de cidadão e tudo. Mas não colou. A Câmara Municipal
de Castelo de Paiva, adotou como requisito obrigatório para a contratação de
recursos humanos, não ser imbecil. Pode ser que em Torres Novas resulte. O
castelo é meu. Qualquer mapa decente serve como escritura. Ser ao pé de Gaia, é
detalhe menor, irrelevante.

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