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20/08/2025

Jornal Torrejano - N° 1213 - Isto já lá não vai com palmas, Carlos

Jornal Torrejano – Nº 1213 – 22/08/2025

Isto já lá não vai com palmas, Carlos

Recentemente a autarquia usou o seu segundo canal de comunicação favorito, o jornal O Mirante, publicação de âmbito regional sediada noutra cidade, para se lamentar acerca de equipamentos com uso livre, estacionamentos, disponibilizados pela autarquia à população, local, que, não estão a ser usufruídos e, a população, local, mantém-se a protestar acerca da falta de estacionamento. Bom. Esta aparente banalidade merece alguns comentários.

Primeiro. Se lerem o parágrafo atrás a respeitar as vírgulas, percebem imediatamente o atestado de inutilidade que autarquia passa à comunicação social local. A malta sabe perfeitamente que esta folha onde vos escrevo, é reservada aos comunistas e outras esquerdalhas, por isso, vade retro, liminarmente excluído portanto. Não tivessem assassinado o outro. A rádio local, resume o seu propósito ao pagamento de uns salários, porque de resto, é perfeitamente inútil. Serviu o seu propósito em tempos idos, depois de cumprida a função, esvaziada de conteúdos e competências, após o advento da world wide web, não houve nem arte nem engenho para a reinvenção, ninguém liga àquilo. O Riachense, é o riachense. É estrangeiro, fica de fora. E… pronto, são estes os meios de comunicação social ainda vivos. Este facto por si só, ilustra fidedignamente a vitalidade e crescimento da sociedade torrejana. Ajudada pela tal postura de política de proximidade, slogan de campanha. Vira-se costas ao que é local, ambiciona-se outros palcos mais abrangentes. A fazer figuras tristes, que seja em grande.

Segundo. Estacionamentos das 8 às 20, não entra na definição de estacionamento "livre". É estacionamento condicionado, gratuito. A população que a autarquia tem o dever de servir, não está de forma nenhuma vinculada a usar os equipamentos que a autarquia decide unilateralmente disponibilizar, nos locais e moldes em que a autarquia impõe. Chama-se democracia, isso é outra coisa qualquer. Muito menos, essa população cuja autarquia tem o dever de servir, pode ser apontada como responsável pelo custo financeiro da decisão, qual criança petulante que não ligou nenhuma ao brinquedo de porcelana caríssimo importado de Paris. A soberba resultante das maiorias absolutas leva a que os poderes se isolem da realidade e vivam numa bolha onde toda e qualquer burrada é tida como ideia de génio. Os poderes alucinam.

Terceiro. Confessar numa publicação de âmbito regional que, a população, cujo dever da autarquia é servir (por muito que repita isto suspeito que será sempre insuficiente), não passa cartão nenhum aos equipamentos disponibilizados, é de uma imaturidade política pueril. Sendo de borla e a população não usa, é porque não serve as necessidades da população, ponto. Ainda por cima culpar a população, é insulto. Usar um palco com mais visibilidade para confessar as asneiras, brilhante. Nunca vos passou pela cabeça porque é que um confessionário é uma caixinha fechada? Mas já que é assim, aproveitem para divulgar a adesão massiva da população mais a migração turística, àquela orgia de cimento ridícula, à torreira do sol, sem uma única sombra, com vista para os telhados de um centro histórico em ruínas, ao qual decidiram chamar miradouro, onde esbanjaram uma pequena fortuna.

O Sr. Presidente atingiu o limite de mandatos e está de saída. O Sr. Presidente pertence àquela geração que usava exclusivamente a porta da cozinha para entrar e sair de casa. A porta da frente estava sempre fechada e o hall de entrada era tão inacessível quanto imaculadamente limpo, cuja existência se tornava um mito, segredado entre familiares directos. Espero que o próximo, seja ele quem for, pertença a outra geração, use a porta da frente para entrar e, quando sair, saia também por lá. Acabe-se com os mitos, de vez. Sr. Presidente, ponha o alarme no telemóvel para as 19:45h, para ir buscar o carro. Do miradouro ao estacionamento é sempre a descer, quinze minutos devem ser suficientes. Se não parar muitas vezes pelo caminho a agradecer as palmas.




Jornal O Riachense - N° 896 - Silenzio Film Fest

Jornal O Riachense - N° 896 - 20/08/2025

Silenzio Film Fest

No passado dia 26 de Julho aconteceu em Torres Novas o Silenzio. Edição inaugural, auspiciosa diga-se, para um festival de cinema independente do qual se espera continuidade e longevidade. Reservando para a comunicação social local o relato e comentários acerca do evento e respectivos conteúdos, prefiro endereçar o que me surpreendeu, pela positiva: Foi organizado por jovens, teve a participação de jovens, foi apoiado por investimentos jovens do tecido empresarial, sem ajudas institucionais bafientas, viciadas e viciantes. Uma lufada de ar fresco numa cidade caracterizada pela decadência e estagnação a diversos níveis, principalmente o cultural. Fiquei imensamente feliz por constatar que, o interesse pela cultura pela arte e, a força anímica para concretizar coisas, existe. E existe na geração que herdou entropias incríveis, inércias impossíveis, mediocridade institucional e, ruínas. Arregaçaram as mangas, reuniram meios, mobilizaram apoios, enfrentaram a adversidade da herança e, concretizaram. Excepcional, admirável.

Embora não seja eu um elemento socialmente activo no ecosistema torrejano, sei perfeitamente quem são os indígenas a apregoar tradições culturais de longa data, a adoptar uma imagem pública de conhecimento e erudição no campo das artes. Nenhum marcou presença. Deduzo que houvesse na mesma data, à mesma hora, arraial no pântano. Compromisso inadiável, portanto. Perderam assim a oportunidade de desdenhar com conhecimento de causa. Não "se", mas "quando", a maledicência ocorrer, tornar-se-á claro a quem serve o barrete. Pintores, escritores, músicos, poetas, interpretaram no Silenzio, provavelmente no cinema independente, algo indigno da sua presença. Estão no seu direito. Talvez o futuro conceda sagacidade e sabedoria, quiçá saudável curiosidade, em quantidade suficiente para expulsar a presunção e soberba que os aflige. A centena de presentes aparentava satisfação, o saber popular diz só fazer falta quem está. O saber popular, por definição isento de snobismo, deve estar certo.

O convívio informal, a amena cavaqueira, a troca de ideias, a discussão de pressupostos, proporcionada em Silenzio, competiu com as exposições e exibições de obras nacionais e estrangeiras, durante uma tarde e uma noite, com entrada livre. Foi um importante todo que se construiu com pedacinhos das partilhas individuais. Ficam memórias, contactos, experiências, numa impaciência mal contida na expectativa da próxima edição. Resta agradecer aos espíritos indómitos apostados em agitar as águas.