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14/03/2022

Jornal Torrejano - Nº 1113 - Quatro parafusos e um disco metálico.

Jornal Torrejano – Nº 1113 - 18/06/2021

Quatro parafusos e um disco metálico.

Recordo-me de uma altura, época pré campeonato da europa de futebol, em que se enalteceram as fabulosas obras, promissoras de progresso e riqueza, que hoje são monos. Ora pelos elevados custos de manutenção, ora por flutuação na relevância do clube desportivo a eles associado, os elefantes brancos, vulgo “estádios de futebol”, demoraram pouco tempo a revelar-se meros despojos de operações financeiras fabulosamente favoráveis a alguns grupos de interesse, ou lobbies. A inutilidade da obra, essa é pública. Mas como é futebol, a malta deixa passar, faz de conta que nunca aconteceu, porque eles são os nossos heróis. Outro episódio dessa altura que me salta à mente, foi o decreto ministerial que pôs todos os taxistas a falar inglês. Prevendo o grande fluxo de estrangeiros, bastou um decreto do governo e, de um dia para o outro, toda uma classe profissional passou a falar fluentemente inglês, como algumas reportagens televisivas comprovaram. Deu vontade de rir na altura, dá vontade de rir agora. Ideias que aparentam ser fixolas, pela camada de verniz com que as vendem, revelam-se perfeitas idiotices sob um olhar mais atento ou, pelo julgamento da passagem do tempo. A tão apregoada ciclovia com um custo de largos milhares de euros foi instalada na cidade. Resume-se a umas plaquinhas metálicas com o símbolo de uma bicicleta, aparafusadas ao chão. Colocadas em vias com circulação automóvel e pedonal, sem qualquer outro tipo de intervenção, fosse corretiva à degradação previamente existente, fosse piso diferenciado, fosse recondicionamento da circulação. Nada. Umas plaquinhas no chão e temos ciclovia, quando tudo o resto permanece inalterado. Carros, bicicletas e peões, tudo ao molho. Por ruas onde um fulano grande sente claustrofobia. As vias que os cidadãos, ciclistas e caminhantes preferem, são as com menos trânsito e próximas da vegetação, do verde, por motivos óbvios. A esmagadora maioria dessas vias, que são a preferência do cidadão, repito, nem sequer têm berma. Isto acontece num concelho que está “habituado” a receber o fluxo de caminhantes gerado pela proximidade de Fátima. Desde há cem anos. Pela experiência acumulada, pelo contexto ambiental, pela população, pelo alarido, pelo valor, esperava-se mais, muito mais. É descontextualizado é desarticulado, é inútil. Um traçado claramente forçado, adverso aos nativos, inútil para os em trânsito. Aguenta e não reclama. Se entretanto não aparecerem surpresas, em sinalética vertical por exemplo, ganhámos mais um mono. Se não puder ajudar, atrapalhe. O importante é participar.




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