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23/03/2022

Jornal Torrejano - Nº 1122 - Bizarro.

Jornal Torrejano – Nº 1122 - 05/11/2021

Bizarro.

A Startup Torres Novas comemorou cinco anos de existência. Pompa e circunstância, palmadinhas nas costas e elogios pelos sucessos conquistados. O habitual nestas coisas. O projeto Startup torres Novas iniciou a atividade a 20 de outubro de 2016, não completando um trimestre nesse ano, portanto. Começar a atividade nesta data, é ter pela frente o Natal, a passagem de ano e, uns feriados amiúde. Seja o que for que tenha sido feito neste período, foi para consumo interno certamente. Desde então, apoiou 95 projetos empresariais, de 226 candidatos analisados. Até aqui, tudo bem. A coisa só começa a ficar opaca quando queremos saber mais. Mais, para além das palmadinhas nas costas e dos elogios. Quando queremos saber dessas 95 proto empresas, quantas resistiram ao terceiro ano de existência, por exemplo? Ou quantos postos de trabalho geraram? Passada uma fase inicial a usufruir do apoio previsto, quantas conquistaram autonomia? Em quanto tempo? Quantas apresentam lucros? Qual o volume de negócios? Estão todas em atividade ou, passaram a ser um side project de alguém que acabou por ir parar a trabalhador por conta de outrem? Quantas foram integradas em agentes económicos de maior dimensão? Ainda existe alguma sequer? Tudo isto é zona cinzenta de densidade bloqueante. Pelo menos online, não encontrei respostas ou dados que pudessem iluminar o caminho desta demanda pela confirmação do sucesso tão apregoado. Não encontrei isso mas, encontrei outras coisas, passíveis de sugerir eventuais pistas. Ora vejamos: A média do número de empresas criadas no concelho, nos três anos que precederam a criação da Startup, foi de 92 novas empresas por ano. Para os três anos posteriores, foi de 82. Caso fosse numa sitcom, nesta altura ouvia-se a sonora gargalhada do público. Não. É na vida real.

Vender fruta podre como gourmet, de tão recorrente, enjoa. Nada mudou. Até percebo: Se assim resulta… Para quê mudar?

Por ocasião de outro aniversário, o do Teatro Virgínia, a Câmara Municipal oferece à população um espetáculo musical gratuito. O que é ótimo. Assinala-se assim mais um ano, com o Café Concerto fechado. Pode ser que o público generalista que vai encher o concerto de aniversário se lembre que o público não generalista deixou de ter sítio para ir. Encerrado por motivos económicos (não é claro se da Câmara, se de terceiros), apodrece lentamente à semelhança de outros investimentos, aparentemente insustentáveis depois de construídos. Seguindo o exemplo emblemático da extinção do Museu Etnográfico, malfadadamente atravessado no caminho do progresso, cujo conteúdo apodreceu em parte incerta. O tal dinheiro que tem de ser gasto senão é devolvido? Dá nisto. A postura desta malta versus a vida real, traz-me à mente a frase de um poema do Rui Sidónio: “Fecho as pálpebras com a casa a arder”.

Fontes de dados: Município de Torres Novas, Jornal O Mirante, Jornal Rede Regional, Nersant.




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