Jornal Torrejano – Nº 1157 - 21/04/2023
Vinho e carvão
Recordo-me de um episódio da personagem de Goscinny e Uderzo, Astérix, onde são explorados com humor alguns conceitos de economia, tendo como objeto a atividade económica exclusiva em toda uma região: Comércio de vinho e carvão. Sem me dar ao trabalho de ir buscar o livro à prateleira e transcrever, um diálogo que ficou na memória, é qualquer coisa neste género:
“E quando não há clientes para vinho e carvão, o que é que vocês fazem?”
“Vendemos vinho e carvão uns aos outros.”
Se a economia circular é adaptável ao humor, com vinho e carvão, um pavilhão de feiras também deve ser.
Quando o atual mecanismo de apoio e estímulo ao desenvolvimento do tecido empresarial, testemunha a queda do seu homólogo e antecessor na indigência, torna-se inevitável tecer algumas considerações acerca do tema. A primeira, recai no planeamento de contexto, deficiente. Traduzido numa redundância, emergente num curto prazo que, remeteu ao inútil o investimento torrejano. A declaração de intenções inicial da Nersant revelou-se incapaz de resistir à realidade geográfica e à passagem do tempo. Depois de tentativas inconsequentes de reinvenção, a balões de oxigénio, agoniza há bastante tempo. A segunda consideração será obrigatoriamente sobre o prolongar inútil desse período agonizante. Enfrentar a realidade e tomar decisões, antes que o capricho se torne demasiado caro, é atividade deveras seletiva na autarquia. É ponto de honra levar os erros até ao fim. Atualmente, (mais) um pavilhão de utilidade tendencialmente nula, aparenta ir custar 2M à câmara. Mais uma despensa milionária para arrumos. A terceira, recai numa necessária reflexão, acerca da pertinência viabilidade e competência implícita, neste género de instituições, neste género de atividade. Expliquem lá à malta, o que é que correu mal? Na altura, os financiamentos europeus eram destinados a fazer pavilhões e formar núcleos empresariais, de maneira que… olha, cá vai, depois logo se vê. Foi isto? É especialmente importante que exista eco desta reflexão, no IEFP, na Escola Profissional, na Associação de Comerciantes, nas Start Up’s, na autarquia, nos partidos políticos. Caso contrário, será legitimo conjeturar quanto irá custar no futuro o que se vai alegremente iniciando hoje. Isto assim, até parece o país dos institutos. Aprender, é o retorno do erro. Se ninguém aprendeu nada… Sem retorno, o erro passa a ser um custo. De 2M, a fundo perdido.
Existem monos destes, com nomes formas e cores diferentes, a salpicar o país. Testemunhando com a sua grandeza a pequenez indígena. Provas físicas de gestão perdulária, carente de sentido, em tempo de vacas gordas. Hoje? Com a taxa de juro a subir, é só ir ao banco arranjar os 2M para pagar o capricho. Não tem problema. A maledicência popularucha tem a mania de ver problemas em todo o lado, que coisa irritante. Pá. Livro-vos de um estádio de futebol. Mas não vos livro de um núcleo empresarial com pavilhão para feiras.
Soa a outros tempos…

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