Jornal O Riachense - N° 896 - 20/08/2025
Silenzio Film Fest
No passado dia 26 de Julho aconteceu em Torres Novas o Silenzio. Edição inaugural, auspiciosa diga-se, para um festival de cinema independente do qual se espera continuidade e longevidade. Reservando para a comunicação social local o relato e comentários acerca do evento e respectivos conteúdos, prefiro endereçar o que me surpreendeu, pela positiva: Foi organizado por jovens, teve a participação de jovens, foi apoiado por investimentos jovens do tecido empresarial, sem ajudas institucionais bafientas, viciadas e viciantes. Uma lufada de ar fresco numa cidade caracterizada pela decadência e estagnação a diversos níveis, principalmente o cultural. Fiquei imensamente feliz por constatar que, o interesse pela cultura pela arte e, a força anímica para concretizar coisas, existe. E existe na geração que herdou entropias incríveis, inércias impossíveis, mediocridade institucional e, ruínas. Arregaçaram as mangas, reuniram meios, mobilizaram apoios, enfrentaram a adversidade da herança e, concretizaram. Excepcional, admirável.
Embora não seja eu um elemento socialmente activo no ecosistema torrejano, sei perfeitamente quem são os indígenas a apregoar tradições culturais de longa data, a adoptar uma imagem pública de conhecimento e erudição no campo das artes. Nenhum marcou presença. Deduzo que houvesse na mesma data, à mesma hora, arraial no pântano. Compromisso inadiável, portanto. Perderam assim a oportunidade de desdenhar com conhecimento de causa. Não "se", mas "quando", a maledicência ocorrer, tornar-se-á claro a quem serve o barrete. Pintores, escritores, músicos, poetas, interpretaram no Silenzio, provavelmente no cinema independente, algo indigno da sua presença. Estão no seu direito. Talvez o futuro conceda sagacidade e sabedoria, quiçá saudável curiosidade, em quantidade suficiente para expulsar a presunção e soberba que os aflige. A centena de presentes aparentava satisfação, o saber popular diz só fazer falta quem está. O saber popular, por definição isento de snobismo, deve estar certo.
O convívio informal, a amena cavaqueira, a troca de ideias, a discussão de pressupostos, proporcionada em Silenzio, competiu com as exposições e exibições de obras nacionais e estrangeiras, durante uma tarde e uma noite, com entrada livre. Foi um importante todo que se construiu com pedacinhos das partilhas individuais. Ficam memórias, contactos, experiências, numa impaciência mal contida na expectativa da próxima edição. Resta agradecer aos espíritos indómitos apostados em agitar as águas.

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