Jornal Torrejano – Nº 1109 - 23/04/2021
Abriu a época.
Os torrejanos foram informados por um panfleto, com impressão a cores em papel couché, na sua caixa de correio que, Talvez Recandidato (T.R.), ainda não se decidiu e, mantém-se isso mesmo, um talvez recandidato. Nunca tantos esforços foram empreendidos para reafirmar rigorosamente a mesma coisa, vez após vez, panfleto após entrevista após comunicado após declarações após… A linha de coerência é auxiliada pela solicitação que remata este panfleto de publicidade não endereçada: um pedido de ideias a quem as tiver. Em todas as comunicações públicas de T. R., nenhum plano, aliás, nem uma única linha de ação do projeto de governação, é revelado. Pelo menos, assumem a deficiência, e pedem ajuda. Sem constrangimentos. Para a malta a transbordar de ideias enviar as suas obras-primas, é indicado um endereço de email. Que não existe. Ninguém se lembrou de o criar, de o registar. Tornado público o folheto, um desses fulanos a transbordar de ideias, dá por isso e, regista ele próprio o domínio, ficando detentor da designação exibida no folheto. O fulano é acólito de outro culto e a coisa azeda. A guerra, política ou outra, é coisa feia. Imagine-se que era com um candidato real, uma campanha eleitoral verdadeira? Seria coisa séria. Assim, os eventuais danos deverão ser residuais. Tratando-se de um talvez recandidato, inviabiliza por definição uma campanha eleitoral verdadeira. Estraga-se apenas publicidade não endereçada. Já ia para o lixo de qualquer modo.
Como é que um episódio destes se passa na vida real e não numa sitcom? Para os que só chegaram agora, o resumo: A caracterização trágico-comédia desta novela tem por base a impossibilidade de Pedal Frenético (P.F.) usar informação sumarenta, arma capaz de infligir verdadeiros danos a T.R., seu possível adversário, caso se recandidate, porque nas décadas de governação consecutivas de um e outro, P.F. esteve sempre presente. Conivente portanto. Seria um grande tiro no pé usar as más decisões onde também aparece a sua assinatura. Daí, P.F. se ver forçado a calar-se acerca do passado, legitimando assim, décadas de governação do seu adversário direto. Remetido a procurar bem fundo nos bolsos, vê-se forçado a jogar cartas de risco. Daquelas que só se usam uma vez. Com potencial para o deixar chamuscado. Bem chamuscado. A ele e aos fulanos a transbordar de ideias do seu lado da barricada.
Se de um lado é exibida uma incompetência formal ao tornar público (massivamente) um email sem o ter previamente criado ou registado, além de uma ausência de conteúdo cada vez mais incontornável, do outro, jogam-se caoticamente duques à laia de trunfos, mesmo com consequências medidas. Mediante estes indícios é legítimo interpretar pânico, não? Ainda a procissão vai no adro. Entre escrever isto e ser publicado, são expectáveis outros eventos estrondosos e fugas de informação sórdida, capazes de comprometer o anterior descrito, tal é a “vitalidade” da vida politica torrejana. Não sei bem porquê, mas vem-me à mente o Homer Simpson.
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