Jornal Torrejano – Nº 1116 - 13/08/2021
Um ano.
Faz um ano que esta crónica existe. Impõe-se um agradecimento pelo convite do jornal Torrejano para a redigir, sem submissão a um âmbito específico. Obrigado pelo espaço gentilmente concedido. Começou com umas cabras desaparecidas que, deram em arquivadas, porque a Junta submeteu o processo fora do prazo. Passou pelo júbilo de supermercados com descontos convidativos e, hambúrgueres que oferecem uma voltinha extra às instalações. Entretanto, cortaram-se ou deixaram-se morrer árvores. Ou ambos, não é claro. Passou-se por lombas que não eram lombas e, por lombas que são obstáculos. Houve história que se perdeu por baixo do cimento do progresso. Envenenou-se a água e a população. Continua-se a envenenar a água e a população. Os artistas subiram ao palco e interpretam os seus números. Só se tem uma certeza: os números prometem. Uns vacinaram-se, outros tiveram de ser investigados. Uns são expropriados à força, outros fazem por força bons negócios. Paga-se para que permaneça tudo imóvel, aplaude-se essa imobilidade e, vende-se como dinamismo. Passou-se graxa à Renova, tem de ser, está no contrato. Tornou-se clara uma divergência cognitiva acerca do conceito de “ciclovia”. Entretanto, como já passou mais um ano e nada foi feito, continua-se a envenenar a água e a população. Sei perfeitamente que é a segunda vez que menciono isto, não estou senil. A judiciária tornou-se habitué da Câmara. As flores são aceites como substitutas dignas das árvores. Um ocasional cagalhão a boiar no Almonda não compromete os floridos espaços de lazer ribeirinhos feitos com material de segunda. E já passou um ano. Houve distrações? Claro que sim. Uma pandemia, um mundial de futebol e, dez milhões de cachopos especialistas em tudo, que se ofendem com tudo, geram distração que chegue. Acho que posso afirmar com segurança que essas distrações não afetaram o foco (auto determinado) desta crónica. Se por vezes o humor se destacou, a seriedade dos temas satirizados foi prioritária, não sendo estes branqueados pela eventual ironia. Não houve protocolo nem preferência seguidos. As fontes temáticas foram sempre com origem na comunicação social, regional e nacional. Agradeço também a quem lê. Agradeço principalmente a quem lê. Há quem enalteça a frontalidade e há quem nunca se manifeste. Ótimo. O objetivo, se algum, é a corrosão da indiferença. Trazer para a discussão o indivíduo “eu cá não ligo a essas coisas”, porque há coisas a merecer que se ligue. Espero ter conseguido alguns resultados nesse campo. Antes que isto aparente ser uma “este gajo está de férias e teve de arranjar uma coisa qualquer à pressão só para cumprir calendário” tipo de crónica, prometo não voltar a cronicar aniversários. Aguarda-se intervenção do governo central para deter o envenenamento da água e das populações. Já tinha falado disto?
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