Jornal Torrejano – Nº 1117 - 27/08/2021
Os 3 reis magos.
Sem estrela, mas com GPS.
Pela primeira vez na história torrejana, três anteriores presidentes de câmara estão na corrida eleitoral. Em projetos governativos distintos. Embora um deles não tenha o papel de líder desta vez, são três presidentes de câmara presentes. Cobrindo cerca de 40 anos contínuos de governação autárquica. A conclusão direta a tirar deste facto é, a incapacidade de renovação. Não exclusivamente partidária. Provavelmente mais uma tonalidade do êxodo que se manifesta. Deixo essa reflexão pendente e questiono se, esta realidade peculiar, não constitui um convite irrecusável para confrontar o autor com a obra. Se hoje somos obrigados a remendar, temos à nossa frente, com disponibilidade, as pessoas que vestiam o casaco quando ele se rompeu. Ou assim pensava eu.
Construções embargadas durante décadas, ruínas,
desflorestação urbana sistemática, o rio, a desertificação, mais ruínas,
incapacidade de criar uma relação bidirecional com a Renova em defesa do
interesse público, desprezo pelas mais-valias históricas, desprezo pelas
mais-valias naturais, incapacidade de manutenção de diversas vias rodoviárias
principais, incapacidade de alargamento da rede da saneamento básico, o escarro
arquitetónico e urbanístico na lateral do hospital antigo, as piscinas que se
foram, a universidade que não veio, o mamarracho dos desportos, o mamarracho
dos Claras, a postura psicótica obsessiva compulsiva com jardins, aquela coisa
no planalto, o caixote para estacionamento com jardim encavalitado para
disfarçar, a anedótica ciclovia, o tumor que querem agrafar a uma ameia do
castelo, a lista continua… É sobejamente conhecida, já se torna cansativo
repeti-la. A comunicação social local, entende este convite como perfeitamente
recusável e, cede o seu espaço, para cada candidato expor o seu projeto. Em
linguagem corrente: vender o seu peixe. Num ambiente controlado e seguro.
Contraditório, não existe. Quando muito, acaricia-se na proximidade da ferida, com
jeitinho. Meter o dedo lá dentro para remover o tecido necrótico, é
expressamente proibido. “Não interessa falar do passado, vamos mas é falar do
futuro, falar de tudo o que eu prometo.” E está a conversa de volta nos carris.
O eleitorado perde assim uma oportunidade régia de por um rol de temas em pratos
limpos com quem de direito. Foca-se obedientemente nas promessas. Dos mesmos. Imagino
um debate, qual combate de boxe, com almofadas brancas fofinhas e penas a
esvoaçar. Em câmara lenta. E muitos sorrisos, claro. Insanidade por insanidade,
prefiro a minha. O eleitorado opta por, numa realidade paralela, virtual,
descer de nível até ao insulto pessoal gratuito. Por causa de nomes próprios. Como
se não bastasse o que o rapaz deve ter sofrido na escola primária. Quando os
argumentos escasseiam, a imbecilidade manifesta-se. Ou então são daqueles
fulanos pagos para andar nas redes sociais a disseminar propaganda e semear
caos. Entendo que numa sociedade capitalista tudo tem um preço, não há
refeições grátis. A minha ingenuidade choca-se é com o baixo custo. Diria que,
existe excedente de gente barata. Neste cenário, prometer milhões, é
redundante.
Sem comentários:
Enviar um comentário