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20/08/2026

Jornal Torrejano – Nº 1237 - Menos é mais. Do mesmo.

Jornal Torrejano – Nº 1237 – 21/08/2026

Menos é mais. Do mesmo.

Num passado semirecente surgiu uma expressão que se popularizou, embora com alguns adversários. No original em inglês: Less is more. Menos é mais. Paradoxal á primeira vista, alude ás vantagens da simplificação. Claro que dependendo do contexto, pode ser instrumentalizada para iludir e manipular. No absoluto, mais é mais e, menos é menos. Foi nesta literalidade que os adversários da expressão se basearam. Mas, na realidade, por experiência na prática, a simplicidade é vantajosa. A perigosidade está, na redução de objectos complexos ao preto e branco. Outra expressão próxima será "o óptimo é inimigo do bom". Percebe-se perfeitamente o conceito funcional mas, não devemos permitir que ele nos iniba de perseguir a evolução no sentido da melhoria. Assim como o "menos é mais" não nos deve impossibilitar de compreender a complexidade por detrás de um único botão de liga/desliga.

O actual presidente de câmara foi durante largos anos presidente da assembleia municipal. O anterior presidente de câmara, é actualmente presidente da assembleia municipal. Ambos do mesmo partido, o partido que detém poder autárquico há três décadas consecutivas. Posto isto, torna-se pouco credível qualquer justificação baseada em ignorância. Se não sabe, é porque não quis/quer saber. Se está bom, se resultou durante trinta anos, para quê mudar? Menos é mais, verifica-se. O óptimo rejeita o bom, verifica-se.

Apesar desta evidência de continuidade e homogeneidade, o actual presidente (de câmara), insiste em tentar passar a imagem das caixinhas herméticas. Percebe-se que tenta inventar uma linha imaginária que separe um "antes" de um "depois". Eu sou do tempo das reuniões da Tupperware. Isto transporta-me para esse passado. Um grupo de donas de casa ociosas e de ego frágil a venderem umas ás outras caixinhas herméticas num ambiente artificialmente elitista. Se o produto era necessário ou funcional, não interessava para nada. O importante era o cabelo e as unhas arranjados, o vestido novo, o perfume caro, a casa imaculadamente limpa e organizada, os canapés saborosos de preferência exóticos, a simular uma experiência de vida mundana, lida numa revista feminina qualquer. Todas fingiam acreditar na encenação. Quem não comprasse nada nessas reuniões, ficava com o rótulo de "pobre" e era excluída de tão rica e fervilhante vida social. Calculo que hoje seja igual com as Bimby e Air Fryer. Se não for, na câmara municipal, é.

O juiz de qualquer mantra ou buzz word da moda, é a eficácia, os resultados. No caso torrejano, o único resultado é a manutenção do poder no mesmo sitio. Tudo o resto segue a desmoronar-se. A desertificação, o emprego precário, o urbanismo caótico, o delapidar das mais valias, o desprezo pelo ambiente, a corrupção patente nos serviços camarários (objecto de investigação pela Policia Judiciária), mais todas as promessas que ficaram lá no fundo da gaveta do congelador dentro de uma caixinha hermética.

Se hoje está ocupado a (tentar) resolver problemas com vinte anos, caro presidente, está a (tentar) resolver problemas do seu partido, que já existiam quando era, também presidente, mas de outro organismo autárquico. Não existe caixinha hermética de plástico que mude esta realidade. Para efectivamente existir uma linha a separar um "antes" de um "depois", é preciso resultados, são precisas evidências. Senão, resume-se a cumprir o protocolo que o seu partido cumpre há trinta anos, exclusivamente para se manter no poder. Continuem a vender caixinhas uns aos outros e a sentirem-se uma elite muito exclusiva por isso.



07/08/2026

Jornal Torrejano – Nº 1236 - Caderneta completa

Jornal Torrejano – Nº 1236 – 07/08/2026

Caderneta completa

Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. Mas pronto... no fim, perdemos a guerra. Parece a selecção nacional de futebol. Promete-se, exulta-se, elevam-se os espíritos, e no fim, nunca ganha. O município criou condições para que os desempregados e falidos do comércio tradicional tenham uma hipótese de emprego nas grandes superfícies. A malta aplaude e dá palmadinhas nas costas uns do outros. O que seria de nós sem os políticos a zelar pelos nossos interesses? Como dizia o ébrio Vasco Santana, chapéus há muitos, ó palerma.

Como metade dos conformados está a regressar de férias, antes que se entusiasmem a comparar os escaldões com pedigree do Algarve com os escaldões rafeiros da costa oeste, convém domesticá-los para o regresso ao rengo rengo da rotina, onde vão existir durante mais um ano. Nesse sentido, a autarquia preparou dois workshops de regresso à normalidade: as piscinas que não abriram como prometido e, as obras do largo do Virgínia que não arrancaram como prometido. Assim o pessoal habitua-se imediatamente à rotina, aos velhos hábitos. Quando a outra metade dos conformados, a ir de férias agora, regressar, haverá novos workshops preparados. Muito provavelmente os mesmos. Porque a equidade também é palavra frequente nas campanhas e discursos. Há que cumprir com o prometido.

Entretanto, para quem não participou no êxodo sazonal e ficou por cá, além de manter o lugar na fila para tirar ticket habilitador a melanoma, porque rodeado de ingleses genuínos e franceses falsos na praia, ou a comer pó beber minis e a levar cornadas no campo, o sol é o mesmo, a festarola riachense meteu um visto nos quadradinhos todos. Num golpe de brilhantismo, o presidente da Câmara achincalhou duramente quem teve a ousadia de criticar o evento, de onde resultaram 4 feridos. Pagar bilhete para servir de objecto de diversão de um touro bravo, num evento apoiado financeiramente e institucionalmente pela Câmara, é incriticável, na opinião dele. Não satisfeito com este brilhantismo, decidiu incrementar lúmenes e ofuscar tudo e todos com a proposta de submeter a Festa da Bênção do Gado de Riachos à UNESCO como património imaterial da humanidade. Até à presente data, nunca nenhum país submeteu à UNESCO um evento onde estivesse incluído uma componente tauromáquica. A acontecer, esta será a primeira vez. De notar: nem Espanha, nem México, nem... NINGUÉM, teve a ousadia de submeter algo do género à UNESCO. Tinha de ser um cromo torrejano. Incrível. Apesar da UNESCO não ter uma posição definida em relação ao tema, grandemente porque nunca foram confrontados com tal coisa, a rejeição de todos os argumentos da causa animal, pactuar com a barbárie, ocupar a cadeira de pária num espetáculo/diversão que, à sua frente, enviou quatro seres humanos, um em risco de vida, para o hospital, é considerado boa ideia.

Percebem agora ao que me referia no início? Aquela injecção de adrenalina quando ao abrir a saqueta sai de lá um cromo raríssimo que completa a colecção? Tah dah!