Jornal Torrejano - Nº 1096 - 09/10/2020
Está tudo mal. Tudo.
Em amena cavaqueira entre amigos, a discutir o desempenho autárquico, ou a falta dele, surgiu a frase: “…criticar a Câmara Municipal é fácil…”. Concordei de imediato. Aliás, reforcei que é O MAIS fácil. Pela frequência com que se põem a jeito. É difícil ficar impávido perante a abundante oferta. Ir a Torres Novas é como visitar aquele amigo que é muito desarrumado, quando desvias a pilha de revistas que está em cima do sofá para te poderes sentar, ele diz “deixa estar isso aí, senão perco-lhes o norte”. Não é erro, é funcionalidade. Num cenário rico em asneiras, micro e macro, a crítica ou discordância irá brotar em igual proporção. Mas o escrutínio popular, a opinião critica, é mal recebida por alguns indígenas. É vulgar respostas do género: “nunca estão satisfeitos”, “preso por ter cão, preso por não ter”, “só sabem dizer mal”, “nunca está nada bem”. Não exatamente assim como escrevi, mas pejado de erros gramaticais e ortográficos.
Esta assimilação da asneira como relíquia cultural, a
veneração a quem a fez e perpetua, é endémica. “Nós sabemos que é uma asneira.
Deixa ser. Desanda e vai criticar o raio-que-te-parta”. Esta reação emocional
denuncia um sentimento de pertença/propriedade, bairrismo, não é uma reação
ponderada e carece de uma avaliação imparcial do tema em causa. Reage-se á
crítica da gestão pública como se reage no futebol: irracionalmente fiel ao
nosso clube. O General Custer também levou até ao fim as consequências das suas
(más) decisões, condenando um destacamento inteiro a ser massacrado, incluindo
ele próprio. A lealdade e confiança dos seus homens de nada adiantou para
alterar o desfecho.
Também endémico, e totalmente dicotómico, é o desdém pela
prata da casa e idolatração ao que vem de fora. Eu sei, eu sei. Um exército de
psiquiatras ficava de mãos cheias durante muito tempo. Se calhar é isso que é
preciso para mudar as coisas: um executivo importado. Um conjunto de pessoas
que não saiba rigorosamente nada sobre o concelho e sobretudo, não conheça
ninguém do concelho. Julgo impossível um executivo totalmente ignorante da
realidade e das necessidades de Torres Novas, fazer pior trabalho que o que tem
sido feito pelos indígenas conhecedores dos cantos á casa. Até a guardar cabras
falharam. Sim. Bateu no fundo. Quando se gasta 20 mil euros em promoção
interna, não havendo nada de assinalável para promover no mercado interno,
muito menos para um target de domésticas e reformados, confirma-se o andar á
deriva. Quando a autarquia faz asneira e, perante o parecer negativo da
entidade reguladora estatal, insiste na asneira, levando-a até às últimas
consequências, que é que se pode esperar se não as últimas consequências? Se a
CMTN é um alvo fácil, a responsabilidade disso é da CMTN. E para um alvo tão
fácil, que se põe a jeito com uma frequência tão elevada, admira-me a reação de
alguns opositores, ora anémica ora pueril, isto quando se dignam a sair da
apatia. Restam os odiados críticos e insatisfeitos. Cada um tem o que merece.
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