Jornal Torrejano – Nº 1129 - 18/02/2022
Em modo de espera.
Sete habitações para arrendamento apoiado estão disponíveis. Uma ótima noticia. Especialmente quando se aguarda com alguma expetativa as medidas para combater a desertificação, a estaca zero dos nossos problemas. Ponto importante da discussão pré eleitoral. Melhor ainda seria a avaliação dos resultados dessas medidas, mas não exageremos. Daí, a disponibilização destas habitações, claramente direcionada a jovens em início de vida, integrada nas políticas de combate à desertificação, pode revelar-se relevante para o objetivo. Proporcionar a fixação de jovens vindos de outras paragens. Responder á procura gerada pelo crescimento de postos de trabalho. Até mesmo diminuir o encargo das deslocações e consequente pegada ecológica, aproximando a habitação do local de trabalho, a quem vem de fora desempenhar a profissão aqui. Calculo que seja por estes motivos todos que, o acesso ao arrendamento apoiado, esteja disponível exclusivamente a residentes, há mais de três anos. Ou seja, a intenção de combater a desertificação fica-se por tirar os putos de casa dos pais. E assim se vai gerando estatística.
Em Santarém, via protocolo entre a Cruz Vermelha Portuguesa, Segurança Social e o Município, vão ser disponibilizadas três habitações a cidadãos sem-abrigo. O programa Housing First ambiciona objetivamente proporcionar soluções para todos os casos, não se ficando por estes três. Ótima noticia. Gera outro género de estatística.
São realidades diferentes. Por isso geram estatísticas diferentes. Que produzem informação diferente. Útil, ou não, para sustentar uma hipotética argumentação futura. A malta gosta de saber claramente e sem dúvidas, qual é exatamente o que está a ser endereçado. Recordando: a desertificação é a estaca zero do nosso problema. Para outros problemas, outros mecanismos, outras soluções.
Tirando isto, tudo o resto está ótimo. Os dez por cento que faltam resolver do tema da Fabrioleo teimam em durar noventa por cento do tempo da resolução. O rio continua a apresentar-se visivelmente poluído, a somar aos dejetos habituais. A nascente do Almonda continua… lá. E se não chover em breve, tudo isto será menos disfarçável. Entretanto espalhou-se alcatrão e acalmou-se uns ânimos. Há qualquer coisa nas maiorias absolutas que convida ao paralelo com um alcoólico na posse da chave da adega. Esse “qualquer coisa” provavelmente vem da resignação do condenado a quem só resta, esperar. E os anos desta espera, somam para outra estatística. Por esta altura já todos perceberam que a água, a água doce, a água potável, é tipo bué, giga-hiper-zega-mega-importante, certo? Especialmente a que não depende dos rios vindos de Espanha, passou a ser interpretada recentemente como aquilo que sempre foi: um bem essencial, à vida, a toda a vida. Isso inclui-nos a nós. Importante, viram? Então aguardemos pelos dez por cento. Já não deve faltar muito. Deve estar quase. Acho que ouvi qualquer coisa. Não. Não pode faltar assim tanto. É agora. Não. Espera-se. Em maioria absoluta, espera-se. Tal como se espera deter a desertificação. Espera-se. Em maioria absoluta a cena é mais, tipo, á espera. Pela gota de água.

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