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16/07/2026

Jornal Torrejano – Nº 1235 - Gestão de recursos naturais

Jornal Torrejano – Nº 1235 – 17/07/2026

Gestão de recursos naturais

A definição de língua viva é, um idioma que é utilizado na comunicação quotidiana, está em evolução permanente e, possui falantes nativos. Mesmo declinando acordos ortográficos, entendo que, todos os que ocorreram e possam eventualmente vir a ocorrer, são sintomas da tal evolução permanente da língua viva. Outro aspecto desta evolução acontece quando algo que passou a ser verbalizado de forma significativamente diferente da sua forma escrita, de forma transversal e permanente ao longo de muito tempo, passa a ser a versão oficial. Acontece inclusivamente mudanças de significado de determinadas palavras, no limite, até inversão, passando a significar exactamente o oposto do que significava antes.
Não sou linguista, nem ouso incursão nesse campo mas, identifico perfeitamente a dissociação entre discurso e realidade quando ocorre à minha frente. A popularidade do spin já passou. Actualmente, a dissociação cognitiva patológica, é a coisa em voga.
No cumprimento do papel institucional que lhe cabe, o presidente da Câmara enunciou de forma estóica um rol de argumentos positivistas acerca de Torres Novas na comunicação social recentemente. Até aqui tudo bem. Para atrair pessoas e investidores, há que enaltecer e adjectivar hiperlativamente os argumentos positivos disponíveis. O que é estranho, é toda a narrativa rodar exclusivamente à volta de turismo e cultura.
À medida que avançamos na leitura do artigo, percebemos que a história e a natureza, são as armas secretas. Precisamente o que não fizemos rigorosamente nada para conquistar, herdámos dos séculos passados e, a Câmara tem feito ponto de honra desprezar, destruir até.
Há ruinas na serra que testemunham esse desprezo. Há edificações na cidade equivalentes.
Se fosse enumerar aqui todas as passividades e actividades ruinosas que aconteceram e acontecem em Torres Novas nos últimos trinta anos, o jornal teria de incrementar várias páginas. Restringindo às áreas eleitas pela presidência para promoção, o turismo e a cultura: a anedota das piscinas (que foi o maior e melhor equipamento turístico do concelho). A anedota do largo do Virgínia (que é o maior e melhor equipamento cultural do concelho). O café concerto encerrado há mais de uma década. O programa das festas da cidade (o da que decorre e dos últimos vinte e tal anos). A lixeira oculta dentro das grutas e algares onde se forma o Almonda e onde residem pontos de elevado interesse arqueológico, geológico, científico e turístico. O matagal que teima em cobrir a Vila Cardílio ciclicamente. O castelo que... está ali, pronto. Tal como o paúl do Boquilobo e o parque natural das serras D'Aire e Candeeiros, estão lá, no sítio deles. As pegadas de dinossauro ora estão, ora não estão. Ali há milhões de anos mas, de vez em quando tiram folga. O museu industrial cuidadosamente restaurado, inaugurado sem cobre, bronze e latão (ou, o mistério da central eléctrica). As zonas verdes exclusivamente ajardinadas, com nada de natural ou autóctone, com flores de plástico pelo menos poupavam na água e manutenção. As cinco toneladas de lixo retiradas do querido e estimado rio por mãos voluntárias. O festival de cinema que acontece por iniciativa privada e voluntariado, que a Câmara não apoia mas aparece na hora da foto para facturar dividendos de popularidade, sem custos. Os criadores em diversas artes (literatura, poesia, música, pintura, ilustração, cinema, fotografia, para mencionar apenas as áreas em que conheço pessoalmente um ou mais torrejanos a actuar), condenados às edições de autor e/ou ao anonimato, sem um cêntimo de ajuda ou apoio de infraestrutura, promoção ou reconhecimento sequer, da autarquia. Um rancho folclórico que teve de ensaiar na rua, e ir a pé para actuar. Uma banda Operária com escola de música a funcionar num edifício com condições precárias. Devo continuar, ou é suficiente? Repararam que não mencionei a Fiação e Tecidos? Apenas por pura simpatia. Alguns dos exemplos foram entretanto acudidos, mas só depois da queda no charco e muito estrebuchar. A única cultura que emana da Câmara é conformismo. Estou um mãos largas com a simpatia. Escrevi isto sem uma única comparação com outras localidades, sem aludir a outras realidades de gestão autárquica no campo do turismo e cultura. Se o fizesse, o cenário passava de péssimo a desastroso.
Enquanto o presidente tentava vender turismo e cultura com nada em stock, produtores de azeite foram ao estrangeiro promover a excelência do produto e as qualidades óptimas da região, desta região. Aconteceram vitórias no desporto (diferente de futebol) protagonizadas por entidades e atletas torrejanos, notoriedade sustentada pela continuidade, não se trata de um golpe de sorte singular. Acontece também a segunda edição do festival de cinema Silenzio, com maior ambição que a precedente. Há quem venda o que não tem, desconhecendo o que tem para vender. Mas a festarola é o ponto alto da época, essa nunca falha. Sai mais uma rodada de minis que isto é que é cultura.



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