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18/09/2026

Jornal Torrejano – Nº 1239 - Salve-se quem puder

Jornal Torrejano – Nº 1239 – 18/09/2026

Salve-se quem puder

A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". O que não evoluiu, é a total inacção após o reconhecimento do problema. Admite-se que existe, mas fica tudo na mesma, não se dá continuidade ao assunto, não se despoleta processo operacional para a resolução. Por incrível que pareça, a destruição provocada pela tempestade Kristin, ainda tem vários pendentes à espera de resolução, passado oito meses. As intervenções cosméticas na manutenção são mesmo só e apenas isso, cosmética, o desleixo e incúria prevalece nos espaços públicos. A opacidade nas decisões de governação tornou-se impenetrável. Sem maioria absoluta que permita o quero posso e mando de épocas passadas, opta-se por fechar portas e janelas, e cochicha-se o futuro em segredo. A comunicação com o público, o cidadão, continua a ser feita nas redes sociais e em publicações externas ao concelho, apesar da autarquia estar plenamente fornecida de recursos especializados. A presença online de várias instituições torrejanas continua incompreensivelmente desleixada. Os animais errantes, continuam a multiplicar-se, ora entregues à sua sorte, ora apoiados por particulares e associações sem fins lucrativos, claramente esmagados pela falta de apoio financeiro, logístico, humano. Os agentes económicos presentes, na sua esmagadora maioria proporcionam posições de salário mínimo, para indiferenciados, levando as camadas jovens que são forçadas a prosseguir os estudos noutras localidades, a não regressar quando os tiverem concluído. Mesmo sem o almejado canudo, os argumentos para um eventual regresso são ténues. Asfixiar o comércio tradicional e favorecer descaradamente as catedrais franchisadas do consumo massificado, tem sido a linha guia.
Cada vez mais a percepção de um conjunto de pessoas de costas voltadas umas para outras, concentrados exclusivamente no seu umbigo, que, por coincidência, ou infortúnio, habitam a mesma localização geográfica, formando tudo menos uma comunidade, é facilmente legível mesmo por um visitante pouco perspicaz.
Cabe à sociologia e antropologia oferecer explicações para esta realidade. Embora o tal fulano pouco perspicaz possa racionalizar uma ausência de cultura, um estímulo vincadamente inclinado para o oportunismo, um aproveitamento da minoria mais esclarecida sobre a maioria mais rústica envenena as relações sociais com um vassalismo feudal. Mas por 10,5k compra-se uma imagem pública mais conveniente. Viva-se de ilusões caridosas, para não chocar sensibilidades narcisistas. Salve-se quem puder.



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